CENTRO DE CIÊNCIAS ATMOSFÉRICAS
SENAI CIMATEC

Inteligência Artificial e Sustentabilidade Ambiental

O Centro de Ciências Atmosféricas (2CA) do SENAI CIMATEC nasceu a partir de uma demanda da indústria e sociedade: a sustentabilidade ambiental. Neste contexto, as ciências atmosféricas são fundamentais para a compreensão de fenômenos ambientais que variam desde a qualidade do ar/água, eventos extremos e até as mudanças climáticas. Avanços recentes em sensoriamento, comunicação, computação e Inteligência Artificial (IA) impulsionaram significativamente as ciências atmosféricas, permitindo a geração de vastos volumes de dados por meio de observações da Terra de longa duração e fornecendo ferramentas poderosas para analisar fenômenos atmosféricos e prever desastres naturais, surgindo desafios importantes associados à integração da IA na pesquisa atmosférica. Assim, em 2022 foi criado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq o Laboratório de Ciências Atmosféricas e Computação Científica (CA2C), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial (PPGMCTI) do SENAI CIMATEC, composto por pesquisadores de diferentes áreas, sendo apoiado pelo Centro de Supercomputação para Inovação Industrial (CS2I) (ver Figuras 1 e 2). Assim, o CPA-IAI é o ambiente natural na Universidade SENAI CIMATEC para pesquisas que integram a IA, computação de alto desempenho e ciências atmosféricas.

Figura 1: Entrada do CS2I.

Figura 1: Entrada do CS2I.

Figura 2: Sala de controle do CS2I: operação 24/7.

Figura 2: Sala de controle do CS2I: operação 24/7.

Como exemplo de atuação, a crescente demanda por fontes renováveis de energia e os impactos das mudanças climáticas impulsionam a necessidade de simulações atmosféricas cada vez mais precisas e em múltiplas escalas (macroescala, mesoescala e microescala), destacando suas aplicações no planejamento energético e na mitigação de riscos climáticos. A macroescala normalmente é discutida a partir dos Modelos de Circulação Global (MCGs), fundamentais para projeções de longo prazo e definição de políticas públicas. A mesoescala é explorada com ênfase em modelos como o WRF (Weather Research and Forecasting) e o MPAS-A (Model for Prediction Across Scales – Atmosphere), capazes de representar fenômenos regionais como brisas, frentes frias e efeitos orográficos, essenciais para estimar o potencial de energia solar e eólica. Já a microescala é abordada sob a perspectiva do CFD (Computational Fluid Dynamics) e do WRF em configuração LES (Large Eddy Simulation), permitindo análises urbanas detalhadas, incluindo conforto térmico, dispersão de poluentes e microgeração distribuída.

Assim surgem os desafios computacionais da resolução numérica das equações de Navier–Stokes, demandando o uso de supercomputadores híbridos (CPU–GPU), paralelismo massivo (MPI/OpenMP), técnicas de refinamento adaptativo e integração com IA incluindo PINNs (Physics-Informed Neural Networks) e GNNs (Graph Neural Networks). Essa convergência entre HPC (High Performance Computing) e IA aponta para um novo paradigma na modelagem atmosférica, capaz de reduzir custos computacionais, acelerar previsões e ampliar a assimilação de dados observacionais.

Os resultados teóricos e conceituais demonstram que a integração entre ciências atmosféricas, computação de alto desempenho e IA constitui a base para a expansão sustentável da matriz energética, especialmente nas áreas de energia solar e eólica, consolidando a modelagem multiescala como instrumento estratégico para o futuro energético e climático. Outros segmentos importantes que também se beneficiam diretamente das pesquisas aplicadas com a inteligência climática são mostrados na Figura 3.

Mineração

Mineração

Transporte

Transporte

Óleo e Gás

Óleo e Gás

Recursos Hídricos

Recursos Hídricos

Agronegócio

Agronegócio

Energias Renováveis

Energias Renováveis

Qualidade do Ar

Qualidade do Ar

Monitoramento de Barragens

Monitoramento de Barragens

Figura 3: Exemplos de segmentos beneficiados com a inteligência climática.

Um exemplo de aplicação de ferramentas de IA é mostrado na Figura 4 com o Earth-2 Studio (NVIDIA) para evento extremo de chuvas persistentes na Bahia em dezembro de 2021 (72h de precipitação).

Figura 4: Aplicação do NVIDIA Earth 2 para estimativa de chuvas persistentes na Bahia (24 a 27/12/2021).

Figura 4: Aplicação do NVIDIA Earth 2 para estimativa de chuvas persistentes na Bahia (24 a 27/12/2021).

Alguns resultados do projeto CNPq (Chamada CNPQ/MCTI 25/2022 - Linha 2 - Setor Elétrico) intitulado “Cenário presente e futuro do recurso eólico offshore no Brasil: ferramentas e aplicações” são mostrados na Figura 5. Este projeto teve como objetivo principal consolidar a avaliação do potencial eólico offshore do Brasil (Zona Econômica Exclusiva - ZEE) – considerando os cenários atuais e futuros – utilizando ferramentas computacionais de última geração (incluindo IA / Deep Learning Weather Prediction - DLWP), contribuindo para o planejamento, controle, tomada de decisão e exploração de novas áreas com alto potencial energético. Este estudo utiliza a técnica de downscaling dinâmico com os modelos WRF (Weather Research and Forecasting) e MPAS-A (Model for Prediction Across Scales - Atmosphere) para avaliar a distribuição espacial e as mudanças futuras na densidade de potência eólica (WPD) offshore no Brasil, no período de 2015 a 2050, sob os cenários CMIP6-2.6 (cenário otimista, onde as emissões caem muito rápido), CMIP6 SSP2-4.5 (emissões moderadas) e SSP5-8.5 (altas emissões).

Figura 5: (a) Área de estudo que abrange a ZEE brasileira offshore e setores costeiros regionais (b) Classificação de WPD em 100 m de altitude usando WRF e MPAS-A no período de 2030-2040.

(a)

Figura 5: (a) Área de estudo que abrange a ZEE brasileira offshore e setores costeiros regionais (b) Classificação de WPD em 100 m de altitude usando WRF e MPAS-A no período de 2030-2040.

(b)

Figura 5: (a) Área de estudo que abrange a ZEE brasileira offshore e setores costeiros regionais (b) Classificação de WPD em 100 m de altitude usando WRF e MPAS-A no período de 2030-2040.

Projeção: IA Pura, Modelagem Numérica Tradicional e Modelos Híbridos

A projeção para os próximos 10 anos aponta para uma revolução híbrida na modelagem atmosférica global (ver Figura 6). Modelos puros de IA dominarão as previsões de curto e médio prazo pela velocidade e baixo custo computacional, enquanto a Modelagem Híbrida (IA + Modelos Numéricos) se consolidará como o padrão para previsões de longo prazo e sustentabilidade ambiental, unindo as leis da física à eficiência do aprendizado de máquina.

Figura 6: Projeção de adoção de ferramentas de IA e modelagem numérica (2026-2036).

Figura 6: Projeção de adoção de ferramentas de IA e modelagem numérica (2026-2036).

i) Dinâmica dos Modelos e Horizontes de Previsão

  • •Curto Prazo (Horas a Dias): IA Pura já lidera em velocidade. Modelos treinados com reanálises climáticas globais geram previsões locais de alta resolução em segundos. Isso otimiza o monitoramento imediato do tempo e do ar (alertas de tempestades severas e dispersão de poluentes urbanos).
  • •Médio Prazo (Semanas): Transição acelerada para a Modelagem Híbrida. A IA acelera os cálculos cinemáticos e termodinâmicos complexos, reduzindo drasticamente a pegada de carbono dos supercomputadores necessários para rodar simulações meteorológicas tradicionais.
  • •Longo Prazo (Meses a Décadas - Clima): Domínio da Modelagem Numérica e Híbrida. Modelos puramente estatísticos baseados em IA tendem a divergir ou quebrar leis de conservação física (como energia e massa) em horizontes distantes. A hibridização usa os modelos numéricos como âncoras da física real (conservação de energia) e a IA para parametrizar microfísica de nuvens e interações do solo de forma ultra-rápida.

ii) Impacto na Sustentabilidade Ambiental

  • •Água (Recursos Hídricos): Previsões híbridas mais precisas de vazão de rios e taxas de evapotranspiração otimizam a gestão de reservatórios e a segurança hídrica sob cenários de seca extrema.
  • •Ar (Qualidade): Acoplamento de IA a sensores locais permite prever picos de poluição atmosférica em microescala urbana com dias de antecedência, direcionando políticas públicas de saúde.
  • •Tempo (Eventos Extremos): Previsões por conjunto (probabilísticas) baseadas em IA reduzem o tempo de resposta para evacuações em desastres climáticos de dias para horas.
  • •Clima (Mitigação): Modelagem climática de longo prazo de baixo custo computacional permite que países em desenvolvimento simulem seus próprios cenários regionais de transição energética e vulnerabilidade agrícola de forma autônoma.

Portanto, o futuro das ciências atmosféricas com a IA promete revolucionar a previsão do tempo e a modelagem climática, gerando projeções mais precisas por uma fração do custo computacional atual. Para o desenvolvimento sustentável, isso se traduz em otimização em tempo real da geração de energia renovável (eólica e solar), alertas antecipados de desastres climáticos extremos para proteger populações, e diagnósticos precisos que orientam estratégias de mitigação e adaptação agrícola a longo prazo.

Pesquisadores

  • •Allan Rodrigues Silva (SENAI CIMATEC – 2015/UFRN)
  • •Anderson da Silva Palmeira (CODEBA – 2023/SENAI CIMATEC)
  • •Antônio José da Silva Neto (IPRJ/UERJ – 1994/NCState USA)
  • •Armando Temporal Neto (AXIA ENERGIA – 2025/SENAI CIMATEC)
  • •Davidson Martins Moreira (SENAI CIMATEC – 2000/UFRGS - Coordenador)
  • •Diogo Nunes da Silva Ramos (SENAI CIMATEC – 2017/INPE - Coordenador Adjunto)
  • •Francisco José Lopes de Lima (SENAI CIMATEC – 2015/INPE)
  • •Hallan Souza de Jesus (2023/INPE)
  • •Jose Vicente Cardoso Santos (UNEB – 2020/SENAI CIMATEC)
  • •Noéle Bissoli Perini de Souza (UFES – 2021/UFES)
  • •Paulo Henrique Farias Xavier (UCSAL – 2021/SENAI CIMATEC)
  • •Pedro Mário Cruz e Silva (NVIDIA – 2004/PUCRJ)
  • •Rizzieri Pedruzzi (UFV – 2020/UFMG)
  • •Thalyta Soares dos Santos (SENAI CIMATEC – 2015/UFRN)
  • •Yasmin Kaore Lago Kitagawa (CGTI/MCTI – 2022/UFES)

Alunos de Doutorado (em andamento)

  • •Carolina Sacramento Vieira (SENAI CIMATEC)
  • •Jose Roberto Dantas da Silva Junior (SENAI CIMATEC/BYD)
  • •Katty Santos da Silva Marques (SENAI CIMATEC/CODEBA)
  • •Matheus Henrique Silva Siqueira (IPRJ/UERJ)
  • •Thyrso Munhoz Queiroz Gesta de Araújo (SENAI CIMATEC/EMBRAER)

Alunos de Mestrado (em andamento)

  • •Luan Santos de Oliveira Silva (SENAI CIMATEC/UFAL)
  • •Luana do Nascimento Vasconcelos (UFAL)

Estágio de Pós-Doutorado (em andamento)

  • •Georgynio Yossimar Rosales Aylas (SENAI CIMATEC/CPA-IAI)
  • •Sardar Muhammad Hussain (SENAI CIMATEC/CPA-IAI)

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  3. Costa, D. A. et al., 2024. Water Availability and Extreme Events Under Climate Change Scenarios in an Experimental Watershed of the Brazilian Atlantic Forest. Science of the Total Environment 946, 174417.
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Livros

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